quarta-feira, 19 de agosto de 2009

"Me ensina a não andar com os pés no chão..."

Antes de relatar nossa viagem pelo interior de Pernambuco, e pela qual foi o motivo de toda essa desatualização de nosso blog (peço desculpas quem tentou nos acompanhar), abro um parênteses (depois daquele parênteses e antes desse outro, hehe), para falar um pouco sobre um momento pessoal que tenho vivido nesse percurso de apresentações do Diário de um Louco pelo país... Aos que chegaram agora em nosso blog, talvez não entendam nada dessa postagem, sugiro que voltem ao início da história, às primeiras postagens, pois nosso blog é bem cronológico, historinha boba mesmo...
Bom, seguindo a história... Há alguns meses atrás, eu, André, ator deste referido espetáculo, comecei a sentir um pequeno incômodo nos dedos dos pés, que primeiramente achei que fosse algo passageiro, mas que se tornou um certo desafio de saúde a ser superado. Os meses se passaram e o problema foi se agravando, tornando-se um processo inflamatório delicado e que precisava ser tratado e cuidado como tal. Mas para isso, eu precisaria de repolso e um tratamento assíduo, tudo o que eu não poderia fazer nesse momento, já que me esperavam pela frente 40 apresentações por todo meu Brasil, e o que não haveria adiante seria repouso. Um médico me aconselhou a desistir da viagem, mas como todo amor é cego, e o meu amor pelo teatro é também surdo-mudo, eu ceguei para todas as possibilidades ruins e em 2 semanas que estive em João Pessoa, fiz uma bateria de exames, junto com Dra. Sandra, excelente reumatologista, que tinha o dever de me colocar de pé novamente e sem descanso (já que cheguei até ela sem hesitar em continuar a caminhada teatral). Mas estou contando tudo isso para vocês, tentando compartilhar um pouco o momento em que estamos vivendo nessa jornada e também para relatar um pouco o quanto é importante o afeto e carinho dos amigos, penso que mais do que qualquer médico ou medicação, quem me fez estar forte para enfrentar toda essa jornada teatral e humana, foram meus amigos queridos e ainda mais amados por mim por isso. Quero agradecer ao meu querido Jorge, parceiro incondicional, pela generosidade, amorosidade, afeto e dedicação, a Maria dos Mares, pelas mãos amigas do barro e da vida, a Natanael, pelo carinho sincero e tranquilo, a Seu Morais, pela generosidade e espiritualidade, a Tapindaré, pelos perfumes e pelas forças da natureza, a Suzy pelo amadrinhamento, a Roberta, pelo eterno zelo com seus amigos turrões, a Dra. Rosângela, pelo incrível respeito e profissionalismo, e a minha mãe, pelo amor...
Escrevo para agradecê-los e amá-los ainda mais!
Sigo adiante, às vezes com os pés fincados na terra e às vezes sem eles no chão para chegar ao coração...
Com açúcar, com afeto
André


Bate-bola

Logo após Brasília, fizemos 2 apresentações na cidade de Taguatinga/DF, onde o espetáculo aconteceu de uma forma linda! A mágica do teatro se estabeleceu, e o público dialogou com o espetáculo de uma forma delicada e atenciosa, um encontro incrível em que personagem e platéia se entendiam com olhares e sentimentos...
Ps. Quando esses momentos acontecem, fazem todo nosso trabalho valer a pena.

*Na foto, nossos queridos amigos do cerrado, que nos receberam com muito afeto e nos ajudaram a marcar o gol teatral.

domingo, 26 de julho de 2009

Distrito Afetivo

Início de Julho estivemos em Brasília com o Diário no Teatro Garagem, nossa platéia era repleta de afetos e olhares carinhosos. Tivemos uma acessoria maravilhosa do nosso anjo cabeludo Marley e tudo correu muitíssimo bem. Na foto estão todos os nossos amigos, listrados e coloridos! Agradecemos pelo carinho.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Uma Parte de mim é luz!


De Porto Alegre partimos para a serra gaúcha: as cidades de Canela e Gramado. Há dois anos atrás, apresentamos o Diário de um Louco no Festival de Teatro de Canela e fizemos laços fortes. Sabendo dessa nossa ida ao sul, nosso queridos amigos Carla e Bento nos convidaram para ministrar uma oficina para o grupo de teatro do qual fazem parte, o Artigos. A oficina se expandiu para mais pessoas, fora do grupo, e resultou num encontro lindo, com seres humanos lindos, se expondo e se entregando a nossa condução com muita generosidade e carinho.

Todos entraram no teatro de olhos vendados, e tiveram que ser literalmente guiados por nós. Lavamos os pés de cada um, com água quente e sabão, como forma de recebê-los com afeto. Assim eles deixaram a energia dispersa do lado de fora e chegaram com sensibilidade para o trabalho. Cantamos, dançamos, escrevemos versos, falamos, gritamos e tudo fluiu como um rio (às vezes sereno e às vezes feroz). "Uma parte de mim é luz", dizia Ivone para todos, apontando suas lindas mãos para o alto, num momento inesquecível de nossa oficina. Não há como negar que havia muita luz humana naquele dia.
Abraço carinhoso para Ivone, Rovena, Simone, Paulinha, Ana Laura, Júlio, Kleiton, Tânia, Catina, Otávio, Tito, Gabriel, Alice, Carla, Bento e Denise.

Aos gaúchos, com afeto

Apresentamos no Teatro do Sesc em Porto Alegre, onde o espaço cênico e a luz ficaram lindíssimos. No início tivemos problemas com o excesso de burocracia do Sesc local e com a diferença de métodos de trabalho, mas aos poucos conseguimos contornar tudo e o clima de montagem ficou agradável e tranquilo.
Tivemos uma apresentação forte e precisa, pedaços do guarda-chuva e da roupa se espalharam pelo palco. Às vezes é preciso tirar a platéia do conforto e trazê-la ainda mais perto do universo desse personagem. O público gaúcho é atento, observador e sensível, o que à primeira vista parece ser sinal de frieza, mas com a proximidade que o espetáculo tem da platéia, percebe-se no olhar o calor e a troca. Foi um encontro inesquecível.
(Na foto, os agradecimentos.).

Chegamos ao Alegre Porto


Logo após a apresentação de Cuiabá, o Diário arrumou suas malas e seguiu direto para Porto Alegre/RS. Aliás, não foi direto, haviam escalas intermináveis pelo caminho. Chegamos exaustos e caímos na cama do hotel. No outro dia, Jorge ministraria sua primeira oficina pelo projeto: Cenografia -Processos de criação e execução.


(Na foto, o pessoal trabalhando a mil na oficina, enquanto o oficineiro registra em foto.).

De Recife para Cuiabá




Logo após a apresentação em Recife, partimos direto para Cuiabá-MT. Apresentamos num espaço lindo, o Sesc Arsenal, com um jardim esplêndido, uma equipe maravilhosa, pessoas tranquilas e amigas. Ah, levamos o frio para Cuiabá, uma cidade que já fez 47 graus, estava abaixo de 20 graus, todo mundo encasacado e tomando banho frio! (risos)
Fizemos o espetáculo para apenas 50 pessoas, com a platéia dentro do palco, num espaço pequeno e muito íntimo. Mais 50 pessoas estavam do lado de fora, batendo na porta, pedindo uma segunda sessão, o que nos deu um aperto no peito, pois tinhamos um vôo marcado bem depois da apresentação e não foi possível. Às vezes é preciso ter a mão firme para preservar a atmosfera intimista da peça e segurar o desejo de que todos vejam nosso trabalho. Pedimos desculpas aos que foram ao teatro e não conseguiram ver o trabalho.

(Na foto, nós com a equipe do Sesc Arsenal. Profissionalíssimos.).