sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Belo Jardim


Mais flores... Partimos para Belo Jardim, cidadezinha cheia de aconchego amigo... No primeiro dia houve a Oficina de Cenografia, ministrada por Jorge, para alunos ávidos por conhecimento, num domingo, às 8 da matina... Assim que chegamos, fomos recebidos pelos cachinhos pretos e olhos verdes de Ana Flávia, coordenadora de cultura local, que pra nós foi uma das mais gratas surpresas de toda essa maratona. Com extrema dedicação e profissionalismo, Ana foi impecável. Apesar da falta de estrutura teatral na cidade, ela conseguiu todo equipamento de luz solicitado, arregaçou as mangas e montou toda a estrutura conosco, como um novo membro do grupo. Juntos fizemos de uma cantina aberta de colégio, um teatro charmoso e muito digno. Uma platéia de estudantes esperavam ansiosos e barulhentos do lado de fora. Começamos um pouco atrasados, o público lotou nervosamente o espaço, mas aos poucos foi se entregando ao trabalho e conseguimos comunicar de uma forma terna e feliz. Dever cumprido com louvor.

*Na foto a bela equipe de Belo Jardim. Amigos queridos.

Garanhus


Recuperando forças, seguimos para o friozinho de Garanhus, cidade famosa por seu badalado festival de artes, pelas flores e pelo clima agradável. Mas não foi tão tranquilo como esperávamos, o espaço que nos ofereceram também não era nada adequado para o nosso trabalho, e a idéia de cancelar de novo o espetáculo nos deixava bem nervosos. Mas com a força de Lilian, coordenadora de artes local, corremos por toda cidade em busca de um outro espaço que fosse minimamente adequado. Depois de muitos telefonemas, corridas de carro pela lama, em meio a chuva, ela finalmente conseguiu a liberação do teatro da cidade... Ufa! Meio dia iniciamos a montagem de toda estrutura. Com a equipe técnica imensamente solicita, conseguimos montar tudo há tempo, e bem cansados, começamos nossa apresentação no horário. Valeu a pena. O público nos recebeu de coração aberto, com olhares ternos, sorrisos e sensibilidade aguçada, eles embarcaram na história do personagem com muito afeto e fizeram dos 55 minutos de peça um encontro humanamente lindo. São esses momentos que fazem essa jornada valer a pena.

*Na foto, equipe liderada pelo dedicado Eduardo em Garanhus.

Surubim


Logo depois de uma recepção calorosa em São Lourenço, um balde de água fria. A apresentação na cidade de Surubim foi cancelada. Por falta de empenho da equipe do Sesc local e de condições mínimas (mínimas mesmo) para a realização do espetáculo. Não podemos apresentar nosso trabalho, o que nos deixa com uma frustração enorme de não levar ao público de Surubim o nosso teatro e de não exercer a função e o ideal do projeto Palco Giratório, que para nós é tão caro. A nossa ida a cidade se resumiu a um encontro com as pessoas de arte da cidade, tentando trocar um pouco as experiências artísticas, mas com a ausência do espetáculo, fomos dormir sem a sensação de dever cumprido.

São Lourenço da Mata


Em São Lourenço da Mata, nossa primeira apresentação, fomos recebidos de braços abertos pelo pessoal do Sesc Ler. Para o nosso trabalho, nos foi oferecido um corredor do Sesc, entre as salas de aula e os banheiros. Um espaço que não era ideal para o espetáculo, mas sentimos que era o que de melhor eles dispunham. Com todo o empenho da equipe do Sesc e dos companheiros contratados para a iluminação, conseguimos fazer desse espaço um teatrinho lindo, e confesso que todos nós ficamos bem impressionados com o resultado final. O público lotou o espaço e saímos muito satisfeitos com o respeito com que fomos recebidos. No final do dia ainda havia um "banquete" de despedida, tantos doces e salgadinhos que batizamos o local de Sesc Comer. Agredecemos muitíssimo pela acolhida.

*Na foto a equipe gentilíssima de São Lourenço, cavalheiros de verdade.

Ao céu de Pernambuco




Sob o céu imensamente azul do nosso estado vizinho de Pernambuco, partimos para uma jornada de 12 apresentações por cidades do interior. Cruzamos todo o estado, de ponta a ponta, iniciando em São Lourenço da Mata e terminando em Petrolina. Uma experiência única e inesquecível, que nos encheu de força e maturidade. Também nos fez entender o quão importante é o encontro com o público e como essa troca pode tocar muito a eles e a nós mesmos. Passando por cada uma das cidades, encontramos um público ávido por atenção e respeito e pronto para nos receber com olhos e corações atentos. Aqui entendemos que o ser humano, em qualquer lugar do mundo, está aberto a emoção, a sensibilidade e a descobrir-se ainda mais como ser humano. Estamos conhecendo o nosso Brasil pelas mãos da arte e isso nos deixa muito emocionados com nossa escolha e nosso ofício, que transforma tanto aquilo que somos. Aqui vai um breve relato sobre nossa passagem por cada uma dessas cidades, guardando no peito o afeto dos nossos irmãos pernambucanos.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

"Me ensina a não andar com os pés no chão..."

Antes de relatar nossa viagem pelo interior de Pernambuco, e pela qual foi o motivo de toda essa desatualização de nosso blog (peço desculpas quem tentou nos acompanhar), abro um parênteses (depois daquele parênteses e antes desse outro, hehe), para falar um pouco sobre um momento pessoal que tenho vivido nesse percurso de apresentações do Diário de um Louco pelo país... Aos que chegaram agora em nosso blog, talvez não entendam nada dessa postagem, sugiro que voltem ao início da história, às primeiras postagens, pois nosso blog é bem cronológico, historinha boba mesmo...
Bom, seguindo a história... Há alguns meses atrás, eu, André, ator deste referido espetáculo, comecei a sentir um pequeno incômodo nos dedos dos pés, que primeiramente achei que fosse algo passageiro, mas que se tornou um certo desafio de saúde a ser superado. Os meses se passaram e o problema foi se agravando, tornando-se um processo inflamatório delicado e que precisava ser tratado e cuidado como tal. Mas para isso, eu precisaria de repolso e um tratamento assíduo, tudo o que eu não poderia fazer nesse momento, já que me esperavam pela frente 40 apresentações por todo meu Brasil, e o que não haveria adiante seria repouso. Um médico me aconselhou a desistir da viagem, mas como todo amor é cego, e o meu amor pelo teatro é também surdo-mudo, eu ceguei para todas as possibilidades ruins e em 2 semanas que estive em João Pessoa, fiz uma bateria de exames, junto com Dra. Sandra, excelente reumatologista, que tinha o dever de me colocar de pé novamente e sem descanso (já que cheguei até ela sem hesitar em continuar a caminhada teatral). Mas estou contando tudo isso para vocês, tentando compartilhar um pouco o momento em que estamos vivendo nessa jornada e também para relatar um pouco o quanto é importante o afeto e carinho dos amigos, penso que mais do que qualquer médico ou medicação, quem me fez estar forte para enfrentar toda essa jornada teatral e humana, foram meus amigos queridos e ainda mais amados por mim por isso. Quero agradecer ao meu querido Jorge, parceiro incondicional, pela generosidade, amorosidade, afeto e dedicação, a Maria dos Mares, pelas mãos amigas do barro e da vida, a Natanael, pelo carinho sincero e tranquilo, a Seu Morais, pela generosidade e espiritualidade, a Tapindaré, pelos perfumes e pelas forças da natureza, a Suzy pelo amadrinhamento, a Roberta, pelo eterno zelo com seus amigos turrões, a Dra. Rosângela, pelo incrível respeito e profissionalismo, e a minha mãe, pelo amor...
Escrevo para agradecê-los e amá-los ainda mais!
Sigo adiante, às vezes com os pés fincados na terra e às vezes sem eles no chão para chegar ao coração...
Com açúcar, com afeto
André


Bate-bola

Logo após Brasília, fizemos 2 apresentações na cidade de Taguatinga/DF, onde o espetáculo aconteceu de uma forma linda! A mágica do teatro se estabeleceu, e o público dialogou com o espetáculo de uma forma delicada e atenciosa, um encontro incrível em que personagem e platéia se entendiam com olhares e sentimentos...
Ps. Quando esses momentos acontecem, fazem todo nosso trabalho valer a pena.

*Na foto, nossos queridos amigos do cerrado, que nos receberam com muito afeto e nos ajudaram a marcar o gol teatral.